Ficha Técnica

CEO / Digital Content Manager
Jorge Filipe Fresco

Cronista
Renato Costa

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Tudo o Que Precisas de Saber sobre o Open 2021

Foi ainda em Agosto deste ano que soubemos pela voz do novo CEO da CrossFit – Eric Roza – que o Open iria voltar a Fevereiro e Março no ano de 2021, algo que a comunidade queria muito ver feito.

 

 

 

As Primeiras Comunicações e Alterações

Foi então que depois, durante a exibição dos Reebok CrossFit Games 2020, tivemos o anúncio da data do começo do próximo Open. Seria no próximo dia 18 de Fevereiro de 2021 que tudo iria recomeçar.

 

Estas alterações preparadas e dinamizadas pela CrossFit HQ tinham como bases vários pontos, tais como:

  • Os ajustes feitos nos calendários competitivos devido à pandemia mundial da COVID-19;
  • A hipótese de dar aos atletas uma fase de off-season até o regresso do Open à sua data original;
  • Ter mais tempo para preparar e trabalhar a fase do Open de forma a conseguirem angariar um maior número de inscrições;
  • Se possível, ter novamente uma competição presencial ao vivo – o que também já tínhamos explorado num artigo anterior – que tal, quanto mais tarde for previsto, melhores e mais seguras serão as possibilidades de acontecer.

 

 

Data Oficial e Estrutura para a Época 2021

Foi então no passado dia 17 de Dezembro que tivemos o anúncio oficial de como tudo se iria desenrolar.

Para além de termos mais um adiamento na data – sendo que o Open arranca oficialmente no dia 11 de Março – temos agora apresentado o novo formato e estruturação da época competitiva que irá culminar nos CrossFit Games 2021 – previstos para 26 de Julho de 2021.

As inscrições abrem oficialmente dia 7 de Janeiro para todo o Mundo, através do site oficial.

 

Mais uma vez o objectivo da CrossFit é que este seja um evento para a comunidade e que todos possam participar, “seja para te divertires com a tua comunidade, seja para te desafiares a fazer algo novo ou seja para forjares o teu melhor fitness na busca do maior dos títulos” – palavras da própria CrossFit HQ.

 

Vejamos então como decorrerá tudo:

  • O Open arranca no dia 11 de Março no seu clássico formato online, no qual teremos três semanas, com três workouts – um apresentado a cada quinta-feira de cada semana – cujos resultados terão de ser enviados até à segunda-feira da semana seguinte. Os desafios poderão ser feitos nas próprias box’s ou em casa, nova opção dada este ano. Assim sendo espera-se um Open mais acessível para ser adaptado a estes dois cenários.
  • Passada esta fase teremos então uma nova etapa – Quarterfinals – que arranca dia 5 de Abril, também no formato online, com a duração de uma semana e decorrendo nas box’s de cada atleta. Esta etapa irá incluir cerca de 10% dos atletas participantes no Open.
  • Posto isto teremos dez eventos presenciaisSemifinals – que decorreram durante quatro semanas – de 24 de Maio até 20 de Junho – em todo o Mundo. Estes eventos serão organizados pelos “CrossFit Partners” – pelo que entendemos, organizadores dos eventos sancionados – ao longo dos seis continentes de forma a garantir que teremos atletas qualificados para os CrossFit Games de todos os cantos. Sendo eventos presenciais – e dado a situação que vivemos este ano – todos eles terão medidas e protocolos de segurança previamente estipulados e para além disso terão um plano de contingência para versões online caso as restrições assim o obriguem.
  • Ainda antes da competição final, os atletas que quase passaram à fase final através das Semifinals, terão uma última oportunidade através de uma nova fase – Last-Chance Qualifier – que decorrerá em formato online, nas box’s de cada atleta, na semana de 28 de Junho.
  • Tudo culminará – esperemos – na competição final – ao vivo e presencial – dos CrossFit Games, que decorrerão a partir de 26 de Julho em Madison, Wisconsin. Tal como nas etapas anteriores, também a fase final terá um plano de contingência para versão online caso as restrições assim o obriguem.

 

Resumindo, assim temos o calendário competitivo para 2021:

7 de Janeiro: Inscrições no Open

De 8 de Março até 29 de Março: Open

5 de Abril: Quarterfinals – Atletas Individuais

19 de Abril: Quarterfinals – Equipas

3 de Maio: Qualificação para categorias Masters/Teenage

De 24 de Maio até 20 de Junho: Semifinals

28 de Junho: Last-Chance Qualifier

26 de Junho: CrossFit Games

 

Outra questão esclarecida também foi a qualificação das equipas, onde todos os elementos terão de pertencer à mesma box e farão o caminho qualificativo pelo Open, Quarterfinals, Semifinals e finalmente CrossFit Games, tal como todos os atletas individuais.

Também foi garantido que as categorias Masters, Teenage e Adaptive terão hipóteses de fazer a sua qualificação e participação na competição.

 

Acede ao regulamento oficial da competição, clicando aqui.

 

 

Será que o Open é para ti?

Mas será que o Open é mesmo para todos? Na minha opinião, não. E falo-vos por experiência própria, e na primeira pessoa como sempre.

A forma como vejo o Open é pura e simplesmente uma competição. E sendo que não quero competir, muito menos ambiciono chegar aos CrossFit Games, não me faz sentido a mim participar. Contudo não é este o único e principal motivo pelo qual não participo neste evento.

Das duas únicas vezes que me recordo ter feito o Open – nos meus primeiros anos de CrossFit e ainda sem ter um plano de treino adaptado e individualizado às minhas necessidades – o facto de estar sujeito a categorias e rótulos numa aula como “Scaled” ou “Rx“, sentir-me pressionado quando estava a fazer o treino por várias pessoas, ser alvo de gritos e incentivos para fazer mais rápido ou mais repetições, ser bombardeado de perguntas por parte dos parceiros de treino ou treinadores de quantas repetições fiz, qual foi o meu tempo e outras comparações por aí fora, tudo isso junto fez-me criar uma aversão em treinar sob essas condições.

Acredito que há ambientes e ambientes, e treinadores e treinadores, contudo não deixa de ser uma pressão desnecessária a um aluno/cliente que vem ter a melhor hora do seu dia e procura um treino eficiente, sem a criação de estigmas e comparações que podem prejudicar psicologicamente esse indivíduo e criar uma ideia errada sobre o treino. Não nos podemos esquecer que nem todos somos iguais, e que apesar de haver pessoas que se dêem bem e gostem desse tipo de motivação, outras poderão sentir-se mal.

Mas esta é apenas minha opinião e visão daquilo que eu experienciei, e depois de uma reflexão própria sobre o quero. Continuo a ser espectador e fã do desporto e da competição, contudo não me faz sentido a mim – nem a outros indivíduos – participar nele.

Já alguma vez reflectiram sobre este assunto? O porquê de o fazerem, se se sentem bem quando o fazem. Como está a relação com o vosso ego?

 

Contudo aproveitámos também para falar com alguns dos treinadores de renome em Portugal para sabermos como estão a preparar a nova época com os seus atletas dadas as informações que temos e o que acham do Open ser um evento da comunidade e de todos deverem – ou não – participar.

 

Renato Costa

Os meus atletas são preparados de formas diferentes para o Open, alguns vão estar a competir, outros a participar e outros nem sequer o fazem porque não faz parte dos objectivos deles ou não estão preparados. Os que vão competir têm de estar mais preparados principalmente para se conseguirem expressar com intensidade várias vezes em poucos dias – com as repetições dos WOD’s – e recuperarem disso, ao contrário dos que vão participar que têm apenas de estar preparados para se conseguirem expressar uma vez.

O Open entretanto mudou a sua estrutura, mas ainda assim tem uma fase competitiva maior do que as outras competições que vão de um a três dias, o que obriga a uma gestão durante estas semanas de manter capacidades, e obriga a uma fase de pré-competição diferente também em termos de duração e de réplica do que vai acontecer diferente.

Todos os atletas que vão estar presentes no Open passaram (ou ainda vão passar) por uma fase de Base, Tough, Pre-Competition e Competition, mas em todas estas fases o nível actual em que o atleta se encontra é que ditará o que se passou lá dentro, alguns tiveram uma fase de Base já com skills concorrentes – por exemplo – porque ja são eficientes nesse skill, enquanto outros só encontraram esse tipo de trabalho na fase de Tough.

Ao longo das fases, tem de haver sempre uma preocupação de passarem por um volume funcional dos skills e tentarem atingir ou chegar o mais perto possível dos KPI’s específicos da modalidade e neste caso também uma insistência maior dos movimentos que já sabemos que têm grande probabilidade de aparecer no Open, com foco no endurance muscular e capacidade de manter todas as contrações o mais aeróbias possível.

E não, o Open é uma competição e competir não é para todos. Implica ter requisitos para participar numa competição – seja de que modalidade for – e fazer scalling de WOD’s do Open para toda a gente tentar participar, com a ideia de inclusão, é para mim mais uma forma de marketing e de conseguir ter mais inscrições na competição.

Ao publicitar que é para todos vamos colocar as pessoas a fazer algo para o qual não estão preparadas, porque – mesmo as adaptações – vamos colocar muitas vezes as pessoas a aplicarem uma intensidade que não precisam e um volume de repetições ainda maior e prejudicial devido à simplicidade ou facilidade do movimento de opção.

Muitas pessoas que vão fazer Jumping Pull Ups em vez dos Chest-To-Bar, e se calhar em vez de estarem a fazer esse WOD deveriam estar a aprender a fazer trabalho de força, a mastigar brócolos devagar e a dormir em condições, em vez das 100 Jumping Pull Ups do WOD do Open.

Atenção que no passado também promovi isto, mas faz parte da carreira de treinador ir evoluindo, abrir horizontes e procurar respostas em vários lados, e principalmente observar com atenção aquilo que se passa com as pessoas que estão à tua volta ao longo dos anos.

 

 

Rodrigo Couto

Ora então, já com as datas iniciámos a preparação como habitual em anos anteriores para o formato igual ao dos anos anteriores – cinco WOD’s, cinco semanas e dias para re-test. Como não há mais provas, nem previsão, iniciamos 2021 como a grande primeira fase de melhor performance do ano.

Mesmo não sabendo as “regras” do jogo, já iniciámos a preparação do Open sempre para uma melhor classificação individual de cada atleta mesmo sem saber se há acesso a Games ou eventos sancionados.

Como aliado ao plano para o Open tenho o coach Tiago Miguel Lousa que tem feito toda a preparação específica de remo e Mixed Endurance.

O Open é para quem o quiser fazer. Seja de que forma for, adaptado pelo seu coach da box – PT – mas que a pessoa sinta que foi mais um treino divertido em conjunto ou não é fazendo parte de um grupo com nome de comunidade! Para além da parte física está a saúde mental, vivemos disto e somos culturalmente pessoas que adoram conviver praticando desporto. Se é seguro ou não cabe a cada treinador adaptar e não é o Open que vai tornar uma fase de treinos prejudiciais a qualquer pessoa, o ano tem 365 dias!

 

 

Pedro Pereira

A preparação está a correr como previsto: iniciámos a preparação no início do mês de Dezembro focados no trabalho de força sob fadiga e barbell cycling durante oito semanas que nos levará até Fevereiro. Neste último mês de preparação iremos trazer um foco de “competition prep” onde simularemos vários timings de execução de WOD’s, Open Workouts – que já temos vindo a incluir – e depois teremos três semanas de ação focada na maximização de performance no Open e recuperação entre WOD’s.

O Open é para todos? Resposta curta, sim!

O Open é tradição “CrossFitteira” e incentivamos todos a participar na prova. Não para ganhar o Open, mas para que seja uma altura especial de superação, de comunidade – mesmo com o COVID – e teste! Muitos me dizem que “isso é para quem gosta de competir”… Pois eu não vejo assim as coisas. Eu gosto de jogar à bola com os amigos, onde não ganho nada e sei que não vou ser o CR7, mas gosto de jogar na mesma! Aqui é igual: sei que não vou (ou vamos) andar com os melhores, mas vamos curtir o ambiente, vamos enfrentar os desafios, vamos superar as nossas expectativas e viver uma das mais antigas tradições do Desporto do Fitness.

 

 

Tiago Miguel Lousa

A preparação dos atletas de competição do The Alpha Program está a ser ajustadas aos objetivos individuais de cada um. Tendo sido um ano atípico e não havendo previsão de competições presenciais na quase totalidade dos casos estamos, de forma genérica, a apontar o primeiro pico de forma da época para o mês de Março. Havendo já informações que o Open terá apenas três semanas e, como tal, três workouts, a previsão é que alguns movimentos “típicos” tenham maior probabilidade de serem repetidos: Thrusters / Wallballs; Pull Ups / Chest-To-Bar; Remo; Burpees; um levantamento olímpico pesado como Snatch. Assim e sem prejuízo de continuarmos a preparar os atletas a médio longo prazo, num espectro que envolva todas as competências e capacidades, incluindo Mixed Modalities, Sports e Outodoor, estamos a focar-nos em trabalhos específicos que os preparem melhor para os workouts do Open. Aqui jogamos com variáveis como:

  • Time Domain: através de trabalho intervalado por forma a que se conheçam e consigam gerir o esforço e intensidade da forma mais adequada;
  • Mindset: testando os limites e a tolerância à frustração nomeadamente na exigência da produção de trabalho sob fadiga;
  • Eficiência: não apenas em termos de movimento mas igualmente da junção de vários movimentos;
  • Do set up para os WOD’s;
  • Do treino de transições;
  • Confiança: trabalhando cargas sub máximas e intensidade acima dos limiares anaeróbios em momentos específicos.

É a fase em que a exigência física aumenta de forma linear mas a mental de forma exponencial. A presença e controlo contínuo dos coach’s é essencial para orientar e apoiar, quando for caso disso.

Pelo que foi possível aferir até esta data em termos de estratégia e política do novo CEO da CrossFit, prevê-se um Open mais inclusivo. O objetivo da marca é recuperar a comunidade que, por várias razões, se afastou. Apesar de haver a possibilidade de existir uma versão do Open para casa – Home Open – acreditamos que os WOD’s serão relativamente simples em termos de exigência técnica. Poderemos voltar a ver a inclusão de Dumbbells, Kettlebells, ou mais movimentos bodyweight.

Esta reflexão leva-nos à segunda questão. Como CEO, Box Owner e Head Coach a minha opinião é de que o Open, na conjuntura atual, não deverá ser para todos. A organização correta que permita uma experiência gratificante e positiva a quem participar, irá, necessariamente limitar as atividades regulares de uma box. Assim, e por melhor que seja a relação e comunicação entre management e atletas/clientes, irá sempre ser um ponto gerador de fricções e incompreensões.

Esta questão colocar-se-á especialmente a quem nunca viveu um Open. Num momento tão sensível temos que ter uma sensibilidade e atenção redobradas com a qualidade do serviço prestado e consequente satisfação do cliente. De todo o modo, na CrossFit AlphaDen iremos dar oportunidade a todos de fazerem os workouts do Open em modo aula. Iremos, obviamente, fazer as adaptações e ajustes adequados que permitam a sua realização em segurança. Em paralelo e nos períodos da tarde aos fins de semana, daremos oportunidade aos atletas inscritos no Open de realizarem as versões oficiais de modo competitivo.

 

 

Estaremos atentos a mais informações e actualizações, as quais serão partilhadas através das nossas redes sociais.

Para mais informações consultem o site oficial dos CrossFit Games.

 

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1 Comment
  • Ana Silva
    21/12/2020 at 16:31

    Pontos de vista tão diferentes, contudo bem argumentados e válidos, cada um à sua maneira.
    Artigo Top!
    Parabéns Fresco!

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