Ficha Técnica

CEO / Digital Content Manager
Jorge Filipe Fresco

Cronista
Renato Costa

Fotografia
Patrícia L. Martins

Web Design & Development
Creatives – We Launch Brands

Top

Resiliência

Comecemos pelo significado de resiliência encontrado no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

  • [Física] Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.
  • [Figurado] Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.

Fiquem com esta definição.

 

 

Arranjar desculpas versus arranjar soluções…

Mais preocupante do que não ter objectivos, é encontrar um aluno/parceiro de treino que não tem capacidade de mudar. E o primeiro sinal que observamos que revela este tipo de atitude é quando este passa a arranjar desculpas e/ou razões para outros o conseguirem ao invés de ele próprio.

“Ele só treina muito porque tem uma boa vida…”

“É normal que ele consiga fazer mais Pull Ups, ele sempre foi bom nisso…”

O que hoje é um ponto forte, outrora foi um ponto fraco. Agora existe trabalho por trás, que alguns estão dispostos a ter, e que efectivamente fará a diferença. Não no dia seguinte, não na semana a seguir, possivelmente nem no mês seguinte, mas um dia fará a diferença. É um processo pelo qual nos temos de apaixonar.

A problemática é que passa-se a mudar o foco no que pudemos mudar no próprio ou naquilo que podemos fazer melhor, para focar no que o outro consegue. Arranjar desculpas normalmente é sempre mais “fácil” porque envolve sempre outro elemento que não nós próprios. As soluções implicam trabalho próprio e individual, que mais uma vez alguns não estão dispostos a ter.

Para além disso, um dos piores comportamentos que podemos ter em qualquer área – e na nossa vida – é comparar o nosso trabalho e eficiência com outros indivíduos. Muitas vezes fazemos isso “inconscientemente” e no sentido de conseguirmos validar o nosso output, mas temos de ser capazes de sair destes pensamentos se efectivamente queremos mantermos-nos a evoluir e a desfrutar do processo.

Seria mais fácil pensar assim:

“Ele treina mais tempo que eu. Como posso eu arranjar mais tempo para treinar?”

 

 

Quais são as minhas prioridades?

E aqui seguimos por uma das maiores razões – se não, a maior – pela qual não há vontade de mudar, ou pela qual se arranjam desculpas. Não há prioridades definidas e, quando as existe, grande parte estão mal estabelecidas porque efectivamente a maior parte dos indivíduos não sabe o que quer.

Seja numa prova, seja num treino, seja numa relação, trabalhar por essa prioridade vai fazer de nós mais felizes? Se sim, continua. Se não, porquê manter?

Não temos de ter a prioridade de outros, felizmente somos todos diferentes e cada um tem os seus objectivos. É a nós que temos de ouvir, e responder. Acima de tudo, qualquer prioridade não é maior que nós próprios, e toda a prioridade a nós deve sempre chegar.

Começa já hoje… Tens noção das tuas prioridades actualmente? Vão levar-te aos teus objectivos a curto, médio e longo prazo?

 

 

É difícil.

Ok, já temos prioridades. Agora vamos trabalhar.

É um processo, e se calhar até então nunca pensaram nisso neste sentido, ou sequer experenciado. Haverá dias bons, e haverá dias maus, e poderá ainda haver dias mesmo maus.

Haverá dias em que vais chegar à aula, que vais ver corrida na programação, e que vais querer ir embora, ou nem sequer apareces. Haverá dias em que abres a tua programação e vês que o WOD que lá tens é completamente “fora do teu elemento” e sabes que vai ser muito desafiante e difícil para ti realizá-lo. Mas se confias na programação da box onde treinas, se confias no teu treinador, sabes que isso será o melhor para ti e para a tua evolução.

 

 

Esta uma das minhas cenas favoritas de todos os tempos. E porquê? Porque é um “wake up call“.

Deixem-me recordar-vos de uma coisa: a vida não é fácil. E sim, dá trabalho, e muito.

Ainda esta semana passei por isso mesmo. Ontem acordei bastante dorido dos treinos da semana, o que é normal ao final de uma semana de treinos. Durante o aquecimento, no treino, depois do mesmo, senti que estive sempre mais condicionado do que o habitual, mas continuei e terminei o treino. Se calhar não foi o meu melhor treino, mas dei o meu máximo nele – como dou todos os dias – e isso basta-me enquanto garantia de trabalho realizado.

Quantos desistem à mínima dificuldade ou obstáculo? Quantos falham à aula porque não gostam do treino e/ou porque se sentem inferiorizados por expor um ponto fraco?

Acho que cada vez mais o trabalho comanda a “sorte” que temos. O espírito de sacrifício, a capacidade de tolerância, o esforço que aplicamos àquilo que realmente queremos.

 

 

Será que isto é efectivamente para mim?

Agora, e quando não faz sentido? Não há soluções, apenas desculpas. Não encontramos a razão, muito menos a forma de ultrapassar adversidades e dificuldades. Chegados a este ponto, cabe a nós reflectir e perceber afinal se tudo aquilo faz sentido.

E se não fizer, não vale a pena continuar. Se não nos acrescenta, nem nos altera positivamente, se não encontramos o bom que podemos extrair, se calhar é porque não era mesmo para nós. E tudo bem. Agora seja honestos convosco próprios, porque afinal de contas não vão ganhar nada ficando como estão.

E o CrossFit é dos melhores exemplos. Tantos o criticam, tantos arranjam desculpas quando treinam, tantos o acham difícil e inatingível. E se calhar, nem todos estão preparados mentalmente para esta abordagem e para esta metodologia de treino. Sempre acreditei, acredito e defendo – o CrossFit é para todos, mas nem todos são para o CrossFit.

Agora se é isso que genuinamente queres, se é isso que te preenche e te motiva, continua. Trabalha por muito que custe, persiste e adapta se for necessário, mas não pares até lá chegar se é efectivamente para ti.

 

 

Resiliência.

E posto tudo isto, temos resiliência. Que para mim é todo um conjunto de atitudes – mais do que no treino – para a vida.

É capacidade e resistência. É saber que no final apenas perde quem deixou de acreditar. É ser forte, é saber que mesmo que tenha corrido mal, haverá um novo dia amanhã. O que é algo que o meu treinador adora e que me diz quando começo a duvidar de mim: “Sabes uma coisa, o certo é que amanhã é um novo dia e o sol vai nascer outra vez”.

É saber que se é isto que eu quero, se é isto que me preenche, se é isto que eu adoro, é por isto que eu vou lutar o tempo que for preciso. E vai demorar, e vai dar trabalho, e vou ter inúmeros obstáculos, vai ser difícil aguentar. Mas se persistirmos, se tomarmos o gosto ao processo, tudo é mais leve e tudo se leva.

Partilha
Sem Comentários
Deixa o teu comentário
Nome*
Email*
Website