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Quebrar Rotinas

Algo que ultimamente tem ocupado grande parte dos meus pensamentos e reflexões tem sido a forma como lido com o meu dia-a-dia e como tento garantir que todos os dias estou a fazer o que gosto e/ou a trabalhar para um futuro ainda melhor.

Acontece que no último mês comecei a aperceber-me de que algo não estava propriamente bem comigo. Diariamente acordava sempre muito tenso e sentia que o meu descanso não estava a ser eficaz. No treino não conseguia dar intensidade ao mesmo e pressionava-me a mim próprio por não alcançar determinados objectivos. Depois no trabalho deixava que stress e ansiedade tomassem conta de mim, sentia-me constantemente cansado e saturado da rotina que levava, o que por sua vez criou grandes questões de ansiedade e quebras de auto-confiança com as quais já tinha lidado em anos passados.

Todos estes sinais associados a episódios menos positivos na vida originam uma tremenda “bola de neve” – leia-se então rotina – que não sendo parada poderia criar grandes problemas, e não me refiro apenas a questões psicológicas. Sintomas como a falta de descanso com qualidade e tensões musculares acumuladas no corpo e expostas em treino predispõem sempre a possibilidade de ocorrer lesões mais facilmente.

 

O meu corpo estava a dar-me os sinais todos e eu estava a tentar ignorar. Antes do treino pressionava-me a mim próprio de tal forma a alcançar determinado objectivo ou marca para esse dia que caso não o conseguisse alcançar me culpabilizava e questionava a minha capacidade física por não o ter feito. Mais, todo esse stress e toda essa ansiedade eram transportados comigo para o meu dia-a-dia fora da box e acumulava ainda mais e mais. Porque sejamos honestos, a vida já não é fácil, e juntar a isso ainda mais pressões e pensamentos negativos coloca-nos numa posição nada fácil de aguentar a nível de estabilidade mental e física.

Como é possível dar intensidade nos treinos se estamos constantemente a questionar-nos acerca das nossas capacidades e com a “cabeça noutro lado”? Como é possível levar-vos uma vida social saudável a nível psicológico se estamos sempre em confronto connosco próprios? Como podemos levar um dia-a-dia tranquilo no trabalho se estamos sempre ansiosos e stressados com tudo aquilo que nos rodeia? Como é possível estarmos bem connosco próprios e saber quem efectivamente somos se estamos constantemente a comparar-nos com outros?

E, como é que lidamos com o presente, se estamos constantemente focados no passado e em tremenda ansiedade pelo futuro?

 

 

Realidade e Impacto no Dia-a-Dia

Estas “rotinas” têm um impacto enorme na forma como lidamos com os outros, mas principalmente connosco próprios e com a nossa saúde física e mental. A principal problemática passa na grande maioria das vezes por não reconhecer o problema, e tentar evitá-lo a tudo o custo.

Aconteceu comigo, acontece a quem possa estar a ler este artigo e pode acontecer a qualquer um de nós. Aliás esta temática já tem sido abordada por vários atletas e figuras mais conhecidas, um dos mais falados foi o caso do Khan Porter que falou abertamente das suas questões de ansiedade numa publicação nas suas redes sociais.

 

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Hi. My name is Khan and for as long as I can remember I haven’t felt completely comfortable in my own head. A few weeks ago I decided it was time to start changing that. Rather than clog up your feeds with the intricacies of what’s lead to that decision, I wrote a blog post about my mental health journey, which you can read (or not, it’s kinda long) via the link in my bio. I will however say this here, I believe social media can have a huge impact on our mental health – hence I took some much needed time away from it. It’s a world of smoke and mirrors, highlight reels, judgement, comparison, escape and distraction. Whilst mental health has become more openly discussed online, I feel like there’s few people opening up about the depths of what it really looks like going through and dealing with it, especially when it comes to blokes. This is totally understandable as it’s a very personal journey for most people. But feeling like you’re the only person dealing with whatever noise you may have going on in your noggin can make getting started on the road to recovery seem pretty lonely and the would-be recoverer feel like even more of a weirdo than they probably already do. I hope in sharing my story I can begin to break away from the highlight reels that saturate social media and start contributing to the change I believe this space needs. If you, or anyone you know, is struggling, you can get immediate, over the phone help, by calling lifeline on 13 11 14. Otherwise, book into your GP, get a mental health plan, find a psychologist or psychiatrist and commit to regularly getting help. .. PLEASE NOTE Whilst I think it’s awesome that when I’ve talked about mental health stuff in the past I’ve received some beautiful messages from people opening up about their own struggles, I kindly ask that rather than contact me, you reach out to a friend or family member. I’m not qualified, capable or in a place to be able to help anyone, other than by sharing my own story. I won’t be responding to DMs of this nature. I’m very sorry. Much Love KP #realtalk

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Segundo a Direção-Geral da Saúde, “do conjunto de nove países da região Europa da Organização Mundial da Saúde [ que integraram este estudo ], Portugal teve as prevalências anuais mais elevadas de perturbações de ansiedade”.

Nestas perturbações encontramos perturbações depressivas, como a depressão major, bipolaridade e distimias, e perturbações ansiosas, onde temos então as fobias sociais, a ansiedade generalizada e o pânico, as quais segundo o mesmo estudo apresentam em Portugal um intervalo “particularmente preocupante” entre o início dos sintomas e o tratamento médico.

É um problema real, e pode tornar-se patológico quando não correctamente identificado e tratado posteriormente.

Felizmente nem todos os casos adquirem este carácter, mas é importante identificar sinais no nosso dia-a-dia que possam indicar a entrada num quadro deste género. Sinais como tristeza, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou de auto estima baixa, perturbações do sono ou do apetite, sensação de cansaço e baixo nível de concentração.

 

Na minha óptica e daquilo que mais comummente observamos, as perturbações ansiosas como a fobias sociais e a ansiedade generalizada são as mais facilmente identificáveis. As comparações com outros indivíduos, a falta de confiança e auto estima, as pressões sociais, o stress generalizado, todos estes comportamentos são observados todos os dias.

 

Vejamos agora este exercício, vamos pensar um pouco:

Quantos de nós efectivamente já nos comparámos a outros e achámos que afinal não éramos assim tão bons? Quantas vezes isso não poluiu a nossa mente e nos originou alguma ansiedade e pressão? Quantas vezes não deixámos que a ansiedade gerada antes e/ou durante o treino prejudicasse a nossa performance? Quantas vezes não nos preocupamos mais no que o futuro de melhor nos vais trazer, ao invés de aproveitar melhor o nosso presente e deixar de lado o stress pela busca do melhor que só vem sempre no dia seguinte?

Quantos destes comportamentos já identificaram? Ainda acham que esta problemática é assim tão rara e invisível?

 

 

Estratégias Pessoais

Outro exemplo que temos foi a experiência descrita pelo Cole Sager sobre a forma como este lida com a negatividade diária e como arranja estratégias para se manter positivo.

 

 

Tudo isto gera negatividade, é a quebra na nossa confiança e no nosso mindset se este não tiver as suas bases bem consolidadas.

Mas existem pequenas acções e alguns comportamentos que podemos adoptar que podem fazer a diferença a curto, médio e longo prazo para proteger a nossa mente.

 

Algo que fiz recentemente foi quebrar por completo a minha rotina, tirar uma ou duas semanas de descanso dos treinos e fazer actividades que habitualmente não faço, retomar gostos antigos, descansar completamente. Relaxar a mente e deixar um pouco de lado tudo aquilo que envolvesse CrossFit durante esse período.

Ao início parece um pouco assustador fazê-lo – principalmente para nós que adoramos treinar e amamos isto – mas é igualmente importante termos a percepção que há mais para além disso e que a nossa mente precisa de limpar e formatar para continuarmos a crescer física e mentalmente.

 

Diariamente existem estratégias que podem ajudar a baixar os níveis de ansiedade e negatividade e que podemos fazer na box ou mesmo em casa ou no trabalho, como utilizar exercícios de respiração e relaxamento ou simplesmente colocarem a “bombar” a vossa playlist mais animada do Spotify, e sorrir à vida. Têm feito isso ultimamente?

 

O treino mental é tão ou mais importante que o nosso treino físico. Estejam atentos aos sinais, ao vosso corpo e mente.

A longo prazo acreditem no processo, e dêem-lhe tempo, sejam positivos e foquem-se apenas no momento presente e de que forma podem tirar o melhor dele, todos os dias. Gerar ansiedade pelo futuro ou viver preso a tempos passados nunca deixarão que tiremos o melhor do nosso dia-a-dia.

Ser mentalmente forte passa por tudo isto.

 

 

Felizmente tenho uma boa rede de apoio e amigos que me ajudaram a perceber que algumas coisas não estavam a funcionar normalmente e que era necessário quebrar algumas rotinas de forma a continuar o meu dia-a-dia de treinos de uma forma saudável e sustentável.

Seja um quadro de maior stress e ansiedade, ou algo mais difícil de resolver sozinhos, estejam sempre dispostos a falar com um amigo ou até mesmo um psicólogo. Assumir que não estamos bem e que podemos ter um problema é o primeiro passo para o resolver, portanto não há qualquer razão para ter medos, inseguranças ou vergonhas de o enfrentar.

Estejam atentos ao vosso comportamento e como se sentem diariamente de forma a garantir que tiram e dão o melhor de vocês.

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