Ficha Técnica

CEO / Digital Content Manager
Jorge Filipe Fresco

Cronista
Renato Costa

Fotografia
Patrícia L. Martins

Web Design & Development
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Programação Individual ou Geral?

Numa altura onde todos parecem ter a sua própria programação de treinos e onde é cada vez mais frequente – ou é de eu ser um “novato” nestas andanças – cada um mostrar que tem um programa, deixem-me antes de mais enquadrar-vos um pouco melhor no porquê de eu ter optado por uma programação individual.

Eu comecei a fazer open box e planeamento para competição na altura em que decidi arriscar a minha primeira competição em 2017, a Battle Of Coimbra – que curiosamente foi a primeira prova a que assisti quando entrei no CrossFit e que me fez decidir que no ano seguinte iria tentar participar. Aconselhado por amigos e companheiros de treino comecei a seguir planeamentos disponíveis em várias plataformas online, de forma a que conseguisse a aumentar mais o meu rendimento para além daquele que tinha em apenas uma aula diária e para tentar simular o que teria em prova com vários WOD’s ao longo dos dias de competição.

De facto melhorei um pouco o meu rendimento, mas nada de muito significativo. Após a prova surgiu a hipótese de eu entrar no planeamento que os meus parceiros de treino já faziam. Um treino mais completo, com mais volume, que exigia uma maior dedicação da minha parte. Com o tempo também acabei por melhorar a minha performance, mas à medida que o tempo passava comecei cada vez mais a estagnar. Havia movimentos que ainda não era capaz de fazer, cargas com as quais não conseguia trabalhar e/ou as quais não conseguia aumentar, treinos que não conseguia realizar, tempos que não conseguia melhorar, entre outros. E com isto todos me diziam: “Tens de fazer mais acessórios de ombro, essa mobilidade…”“Tens de trabalhar mais força de ombro…”; “Tens de fazer drills de ginástica…”.

Mas então quem me daria esse acompanhamento? Como saberia eu como articular tudo sozinho? Quem adaptaria os treinos à minha realidade?

Entretanto conheço o Renato Costa, e surgiram as respostas a todas essas questões. Carregado de experiência e em formação contínua – tendo até recentemente viajado até aos Estados Unidos da América para ter formação na tão conhecida OPEX Fitness – começámos a trabalhar juntos desde Junho do ano passado e desde então os resultados têm falado por si.

O porquê? E como? O Renato explica-vos.

 

Renato Costa:

Conforme os anos vão passando e com a experiência que a cada dia ganho seja com uma formação nova, erros cometidos a programar [ também os faço, fiz e aprendi muito com eles ], treinos dados, entre outros, vejo o quanto é errado optar por uma programação geral em que se enfia todos os atletas no mesmo saco.

Há certas etapas no treino de um atleta que devem ser cumpridas se o objectivo deste for ter sucesso e longevidade na competição e no treino [ muitas delas até deviam ter ocorrido em idades mais novas ]. O que acontece muitas vezes é as pessoas começarem uma programação geral que está numa fase que não é a adequada para elas. As pessoas adaptam-se, evoluem mais rápido até que as outras e vão estar dois ou três anos em picos de forma, até deixarem de conseguir evoluir, lesionarem-se e desmotivarem, porque recebem uma base errada de treino que não estava adequada a elas. É verdade que tal também pode acontecer numa programação individual, mas mais improvável, se o treinador que está a prescrever não souber muito bem o que esta a fazer e se limitar a ir copiar programas já feitos daqui e dali e juntar tudo para dar ao atleta.

Numa programação individual conseguimos ajudar melhor o atleta, fazê-lo evoluir conforme o seu nível, objectivos e altura da fase competitiva de maneira segura e consistente seja na carga, na técnica, no trabalho aeróbico e anaeróbico que devem ser construídos de maneira inversa e ter as fases certas conforme cada objectivo. Vai demorar mais tempo a chegar a um pico de forma, mas garanto que se vão manter a evoluir, treinar e competir durante muito mais tempo.

 

É para toda a gente uma programação individual? Não.

Não precisas de ser nenhum atleta de elite mas implica saberes bem aquilo que queres, ser disciplinado, foco e paciência para o teu objectivo, seja ganhar os CrossFit Games, uma competição local ou simplesmente fazer a primeira Ring Muscle Up.

 

 

A opção de uma programação geral ou individual passa sempre por realmente saberes aquilo que queres, que é diferente de achar que queres algo. Se simplesmente te queres divertir ou sentires que pertences a um grupo e o teu objectivo competitivo passa por participar e não ganhar as competições, podes simplesmente optar por uma programação geral que vai ser um serviço mais barato, ficas sempre condicionado ao objectivo do grupo e possivelmente vais ter falhas que no futuro te vão abrandar ou parar a evolução porque não construíste uma base própria só para ti desde início.

Mas se o que te motiva é estares num grupo a treinar deves então seguir essa programação, caso contrário vais acabar por desistir, e sim há atletas que a nível nacional tem pódios com programações gerais, mas será que estão a expressar o máximo de potencial deles? Eu conheço alguns e acho que não, acho que podiam ir muito mais longe do que ganhar uma competição em Portugal, mas é apenas a minha opinião.

 

A vantagem de seguires uma programação individual é que não vais entrar a meio de um planeamento, não vais de repente começar a fazer por exemplo séries anaeróbicas de 90 segundos quando devias ter começado a construir isso com séries de 10 ou mesmo quando ainda não estás sequer preparado para simplesmente fazer trabalho anaeróbico e o que precisas mesmo é de fazer trabalho de força e aeróbico para ganhares bases e condição física para realmente te expressares no trabalho anaeróbico. Não vais morrer se não tiveres este trabalho antes mas possivelmente irá chegar uma altura que deixas de evoluir ou lesionas-te porque começaste algo para qual o teu corpo ainda não estava preparado. Só uma pequena parte dos atletas que tenho é que por exemplo fez trabalho anaeróbico, porque para além de serem os únicos que nesta altura iriam precisar também eram os únicos que tinha a certeza que se iriam realmente conseguir expressar neste tipo de trabalho. O que quero dizer com isto é que para construir algo – seja aumentar força, capacidade aeróbica, anaeróbica, skills em fadiga dentro de WOD’s, etc. – tem de haver uma progressão para tal que vai ser difícil de teres se entrares a meio de um planeamento de uma programação geral que neste momento está numa fase pré-competitiva.

Mas tal como disse anteriormente não condeno, nem sequer quero com este artigo falar mal ou criticar quem segue ou quem vende programações gerais , simplesmente não é o caminho que eu sigo e defendo para quem quer ser meu atleta porque não vai de encontro ao meu propósito enquanto treinador.

 

 

Tenho uma box de CrossFit em que sim há aulas de grupo, mas o objectivo dessas aulas é melhorar a condição física geral e qualidade de vida das pessoas – com treinadores a apoiar a pessoa durante o treino e a dar opções para o nível delas – e não prepará-las para competir, que é um caso totalmente diferente. É verdade que neste caso está uma programação geral no quadro, mas está para um grupo de pessoas que conheço e estou todos os dias, está com treinadores a dar opções e a guiar o aluno para ter a adaptação necessária e como disse o objectivo é qualidade de vida, não é expressar o seu máximo potencial numa competição.

 

Jorge Filipe Fresco:

É por tudo isto e muito mais que o Renato tem a minha total confiança.

Estamos afastados uns quantos km’s mas posso dizer-vos que falo com o Renato todos os dias – somos os dois muito exigentes, que remédio tenho eu em chateá-lo. Todos os dias faço questão de lhe enviar filmagens do treino, sim porque posso dizer-vos que às redes sociais não chegam nem 25% de tudo aquilo que gravo mas ele recebe todo o conteúdo.

Ele sabe – e eu cumpro com isto religiosamente! – quando estou de folga do meu trabalho, se vou treinar de manhã ou de tarde, quando não posso treinar por alguma razão e como gerimos a semana nesse sentido, se estou muito massacrado dos treinos, como me sinto diariamente, etc.

Sim, treino praticamente sempre “sozinho”, excepto um ou outro WOD que algum amigo alinha fazer comigo. Mas é raro e honestamente não é algo que me incomode, de todo. Cada um de nós tem o nosso treino e eu treino bem sozinho. Como eu digo, dêem-me barra, pesos e música e sou um homem feliz a treinar. Ter amigos ao lado a treinar é sempre caloroso, partilharmos experiências e convivemos, mas no que toca ao treino eu sigo a minha linha de início ao fim, tenha-os ao meu lado ou esteja sozinho. O meu foco é igual, e treino-me também a motivar-me e a desafiar-me mentalmente de forma a continuar a superar-me e alcançar os meus objectivos diários. Mas lá está, tal como o Renato disse não é para todos.

Quando vos digo que me entrego completamente ao meu treino é por tudo isto. Eu sei o que quero e onde quero e vou chegar. Eu tenho uma pessoa que está dedicada à minha evolução e às minhas metas, que sabe os meus objectivos a curto, médio e longo prazo, que sabe a que provas quero ir este ano e as quais definimos juntos, e apenas se estivermos alinhados no mesmo sentido e se cumprir com tudo o que ele me pede e aconselha é que se consegue alcançar resultados e evoluir de uma forma consistente.

 

Renato Costa:

Eu próprio enquanto atleta experimentei várias programações e dei-me melhor quando fiz algo para mim, enquanto treinador cheguei a orientar programações gerais para os meus atletas quando ainda eu próprio mal sabia o que fazer com planos de força por exemplo, e observei que a evolução deles não estava a ser a melhor porque faltava individualização nos planos que só me fez ir atrás de conhecimento para ter a certeza que ia estar eu a prescrever os planos da melhor maneira possível.

 

 

Não sou perfeito e longe de ser o melhor, já errei e se calhar para o ano vai haver coisas que vou fazer diferente deste porque descobri que é melhor de outra maneira com a tentativa/erro, mas faço aquilo em que acredito e observei ser o melhor para os meus atletas.

O meu conselho, pergunta a ti mesmo várias vezes o que queres realmente para ti.

Se é ir o mais longe possível em termos competitivos, procura um treinador competente que te ajude e segue uma programação individual.

Se é divertires-te procura uma programação geral com um grupo que te identifiques ou experimenta as duas opções e vê qual se adapta melhor a ti.

 

Jorge Filipe Fresco:

Agora percebem a minha escolha. Obrigado coach.

 

 

Para saberem mais sobre o percurso do Renato, sigam-no através do seu Instagram e da página no Facebook.

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2 Comments
  • Paula Amaral
    10/02/2019 at 22:35

    Parabéns,guerreiro – és especial,bj meu

  • Marco Mendes
    18/02/2019 at 12:46

    Muito bom! O erro de muita gente é começar com muita força sem ter uma base solida ou simplesmente não dominar os exercícios mais básicos. Mas até isso vê-se na programação geral para aulas de grupo. É preciso calma e paciência.
    Continuação de bons treinos. Abraço

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