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Paredes Fittest Games 2019 – II.ª Edição

Num ano onde as competições em equipa dominaram o nosso calendário de provas de CrossFit, o Paredes Fittest Games 2019 foi a minha aposta para a minha estreia na categoria de Individual Rx.

Esta prova já me tinha despertado a atenção desde a primeira edição e pelos feedback’s positivos que recebeu em massa nas redes sociais. Durante semanas recordo-me de ver atletas, treinadores e espectadores a elogiar toda a estruturação, equipa e organização.

E assim sendo, foi a minha principal aposta neste ano. Digamos que não me preparei exclusivamente para a prova, mas usei a mesma como motivação durante estes meses de treino. Como todos aqueles que andam nestas andanças sabem, nem todos os dias de treino são fáceis, lidamos com pressões internas e externas, algumas dores musculares dos treinos, temos outros problemas fora da box, e ainda assim há sempre um dia de treino a cumprir e conseguimos sempre arranjar aquela força extra se nos agarrarmos a algum objectivo mais palpável.

 

Segui a minha programação individual habitual prescrita pelo meu treinador – com o qual já trabalho há um ano neste momento – e o objectivo foi sempre aumentar os meus índices de performance e trabalhar alguns dos meus pontos mais fracos.

Desses pontos mais fracos diria que os mais destacados neste período foram a minha melhoria nos movimentos gímnicos e o meu aumento de força. E claro, neste campo também tenho de destacar a grande ajuda do Sérgio Veloso e da MetaClinic na melhoria da minha nutrição e, consequentemente, da minha performance.

 

Stress e ansiedade, qb. Sim, e estou muito melhor neste campo no que toda a competições. Mas digam o que disserem, esperem até chegar à véspera do fim de semana ou à manhã de sábado… Vem sempre aquele frio cá dentro.

Levem os vossos headphones, escolham aquela playlist do Spotify e deixem correr o tempo. Mesmo na manhã da prova foi o que fiz mesmo depois de estar no briefing dos eventos, relaxar o máximo possível e concentrar-me plenamente nas provas que tinha pela frente.

 

Sábado, dia 8 de junho de 2019. Primeiro dia de competição, e quatro eventos pela frente…

 

EVENTO 1
Para tempo:
25-20-15
  • Overhead Squat [ c/ Fat Bar ] [ 42/32 Kg ]
  • Burpees Over The Bar
No tempo restante:
  • Achar 1 RM (carga máxima para uma repetição) de Clean
Time Cap: 09:00

 

Fat Bar, Overhead Squats e Burpees, que começo picante. Apesar das minhas questões de mobilidade nos ombros, até lidei bem com os Overhead Squats com a Fat Bar, a minha questão durante o aquecimento foi em delinear a estratégia para este primeiro evento. E mesmo depois de falar com o coach, e de ele me ter aconselhado a ver como me sentia e se caso me sentisse bem arriscar as séries unbroken, ficamos sempre na dúvida. E acabei mesmo por arriscar as séries unbroken uma vez que com o cansaço iria perder algum tempo a colocar a barra novamente acima da cabeça.

Mas honestamente o que me tramou mais neste desafio foram mesmo aqueles burpees e acho que ainda hoje sinto aquele “sabor metálico” na boca quando acabei.

Não me recordo bem mas acho que quando terminei ainda tinha mais do que dois minutos para fazer o Clean. A decisão da carga acabou por me prejudicar, porque aqui deixei-me levar pela minha falta de confiança. Fiz os 80 kg para marcar peso – digamos assim – mas com o cansaço e tempo de recuperação do WOD acabei por perder muito tempo a colocar mais peso na barra e a tentar uma repetição com 90 kg, quando sabia perfeitamente que já tinha feito power’s, hang’s e afins com 90 kg…

Mas assim se paga em prova “más decisões” e quando bateu o time cap tinha apenas marcado os 80 kg.

 

 

EVENTO 2
AMRAP 06:00:
  • 2 [ 1 + 1 ] Devil Thruster [ 25/ 17,5 Kg ]
  • 2 DB Box Step Over [ 60/50 cm ]
  • 2 Toes To Bar

A cada ronda completa, adicionar 2 repetições a todos os movimentos.

 

 

Se acham o Devil Press mau, adicionem-lhe um Thruster. Mas dentro do mau do que parece este evento, até gostei. Isto porque apesar de manter um ritmo médio-alto, consegui ser consistente nesse ritmo durante todo o tempo e sinto que o conseguia manter mais tempo, mais um dos pontos que sinto que melhorei imenso com a minha actual programação de treinos.

Não houve assim um movimento em que me senti extremamente desconfortável. Aguentei quatro rondas completas, mais umas repetições.

 

Atleta: Hugo Sousa

 

 

EVENTO 3
  • 50 Double Unders
  • 25 KB Swings [ 24/16 Kg ]
  • 50 Double Unders
  • 25 Slam Ball Over The Shoulder [ 60/40 Kg ]
  • 50 Double Unders
  • 25 Chest To Bar
Time Cap: 07:00

 

Assim que vi o evento fiquei extremamente confiante, porque quem me conhece sabe que adoro uns bons Double Unders! Assim que peguei na Slam Ball pensei logo: “Estás f*****…”.

Tanto que fiz os DU’s e os Swings com alguma facilidade e unbroken, e cheguei às bolas e nas primeiras repetições comecei a fatigar de uma forma brutal. A bola estava de tal forma cheia que quase parecia uma Atlas Stone, e não se moldava de qualquer forma assim que lhe pegávamos.

Foi uma autêntica tortura terminar as 25 repetições, e apesar de ainda ter feito alguns dos DU’s seguintes, não consegui terminar o evento antes do time cap.

 

 

EVENTO 4

Achar 1 RM (carga máxima para uma repetição) de Snatch

Time Cap: 03:00 / 3 tentativas

 

Eu disse que aumentei a minha força, mas a técnica… Essa ainda precisa de uns bons retoques, e já sabia de antemão que isso se ia fazer notar em competição.

Contudo tentei-me ao máximo abstrair de medos e ansiedades, e foquei-me na técnica durante o aquecimento. Não que fosse melhorar naqueles minutos antes de entrar na arena, mas pelo menos iria dar-me o arranque e confiança que precisava.

Ora arranquei com 60 kg, os quais marquei, depois avancei para os 65 kg, que também validei, e na terceira tentativa pairou a questão: “Ponho os 70 kg ou tento mais?”. Isto tendo em conta que tinha feito um power de 70 kg em meados de dezembro de 2018 com muito desenvolvimento à mistura e feio bem feio, mas ao que oiço a juíza dizer-me: “Não quero fazer pressão, mas a Carina Simões está a mandar pores os 74 kg…”. E assim foi, mas apesar de ter sido validado, honestamente, ainda hoje me “envergonho” pelo Snatch feio que fiz.

Claramente ficou registado que tenho muito a trabalhar neste campo.

 

E assim terminou o primeiro dia de competição. Alguns pontos positivos, outros menos bons, mas no fim apesar do cansaço e da exigência do primeiro dia, motivado para continuar.

 

 

Domingo, dia 9 de junho de 2019. Segundo dia de competição, e o maior dos meus pontos fracos surge no briefing dos eventos do dia…

 

EVENTO 5
AMRAP 06:00:

Buy In:

  • 32 m Back Rack Walk [ c/ Fat Bar ] [ 72/52 Kg ]
  • 16 m Handstand Walk
  • 32 m Overhead DB Walking Lunge [ 25/17,5 Kg ]
  • 16 m Handstand Walk
No restante tempo:
  • Máximo de repetições de Ball Pull Ups

 

Sim, Handstand Walk… Atenção, vamos ser honestos, eu sabia para o que vinha. Se não dominava o Handstand Walk e apesar de ter trabalhado isso com o meu treinador durante este tempo, sabíamos que ia ser uma “pedra no sapato” na prova.

Mas fui à mesma, e com tudo. Eu não ia ficar a olhar. Terminei a Back Rack Walk com alguma tranquilidade e agarrei-me logo com “unhas e dentes” às tentativas de Handstand Walk. E mesmo queda após queda, vos garanto que até ao fim dos seis minutos eu nunca desisti, nunca parei de tentar.

Obviamente que sai derrotado e triste, mas honestamente não desiludido. Eu dei literalmente o meu máximo, até ao fim. Não queria desistir e não o fiz. Ou seja, mais não podia ter feito naquele momento.

Mais um ponto a trabalhar, e acreditem que me agarro muito a isto como motivação para continuar.

 

 

E assim terminou o meu percurso na competição, uma vez que daqui para a frente só passariam os trinta atletas melhor classificados e claro que o último evento me fez perder algum terreno na tabela geral.

 

Mas já agora, vamos ver os eventos que decorreram depois…

 

 

EVENTO 6
Para tempo:
  • 500 m Ski Erg
  • 500 m Row
  • 1,5 km Assault Bike
Time Cap: 07:00

 

Damn it! Eu teria tanto adorado fazer este! Aquele cardio em sprint infernal que mandou muita gente ao chão ao fim da Assault Bike.

Acho que a maior parte dos atletas terminou este evento na média dos cinco e os seis minutos.

 

 

EVENTO 7
AMRAP 15:00:
  • 15 cal Row
  • 12 Deadlifts [ c/ Fat Bar ] [ 52/32 Kg ]
  • 9 Hang Power Clean [ c/ Fat Bar ] [ 52/32 Kg ]
  • 6 Shoulder To Overhead [ c/ Fat Bar ] [ 52/32 Kg ]
  • 3 Ring Muscle Ups

[ c/ colete de 10 Kg ]

 

Atleta: Rodrigo Côrte-Real

 

Tinham de meter o colete… Eu já previa.

Honestamente aqui o que me ia afectar seriam os Ring Muscle Ups com o colete. Isto porque apesar de agora me sentir confiante nas argolas, mais 10 kg em cima iam fazer diferença. Não seria impossível, mas extremamente desafiante para mim, e acreditem do que vi de alguns atletas não foi de todo um movimento acessível para todos.

 

 

EVENTO 8
Para tempo:
  • 50 Wall Balls [ 9/6 Kg ]
  • 50 GHD [ c/ Medball ] [ 9/6 Kg ]
  • 50 Pistols Alternados [ c/ Medball ] [ 9/6 Kg ]
Time Cap: 09:00

 

Carrega com a bola, literalmente. Basicamente a malta tinha de andar sempre com a bola atrás.

Curiosamente já tenho comentado isto com vários atletas acompanhados pelo meu treinador, e todos nós notamos tremendas diferenças na nossa tolerância às Wall Balls, e acredito que com elas me sentiria bem à vontade.

Apesar de não ser grande fã dos GHD, acho que aqui eram mesmo os Pistols que me iam entalar. Contudo ouvi alguns atletas comentar que se sentiram mais à vontade neles porque a bola funcionou de contra-peso. Portanto só mesmo experimentando.

 

 

EVENTO 9
Para tempo:
  • 250 m Swim
  • 3 km Run

 

Portanto, início do terceiro e último dia de competição, e claro que não ia faltar natação.

Na minha opinião de toda a programação da competição, este era o evento que não colocaria como meia final mas eventualmente para um dos desafios iniciais.

Este evento claramente seria um desafio para mim pela natação, contudo sinto que era algo que faria com mais facilidade tendo em conta as minhas prestações anteriores em eventos do género e a melhoria da minha performance na água nos meus últimos treinos na piscina.

 

Atleta: Emanuel Amado

 

 

EVENTO 10
  • 12 Thrusters [ 70/45 Kg ]
  • 3 Subidas na Pegboard / Seated Rope Climb
  • 9 Thrusters [ 80/55 Kg ]
  • 2 Subidas na Pegboard / Seated Rope Climb
  • 6 Thrusters [ 90/65 Kg ]
  • 1 Subida na Pegboard / Seated Rope Climb
  • 3 Thrusters [ 100/75 Kg ]
Time Cap: 13:00

 

Que final! Pesada e exigente, quer para homens, como mulheres. Bem este digo-vos, não era de todo evento para mim. Quer dizer, se ele me aparecesse à frente eu “cerrava dente” e lá ia, mas os Thrusters mais pesadões e a Pegboard – que acho que só experimentei uma vez numa box que visitei – seria algo tremendamente desafiante para mim.

 

Atleta: Tiago Luzes

 

Atleta: Hugo Sousa

 

Em suma, de todos os eventos que aqui resumi, claramente uma competição pesada e com um alto nível de exigência. Se calhar com muitos elementos “fora da caixa” que podem cortar a intensidade aos eventos, mas ainda assim até achei uma competição no geral muito interessante.

 

No geral, adorei tudo na prova. Organização da arena e do espaço em volta, variado equipamento disponível, staff e juízes esforçados e dedicados, horários cumpridos e resultados lançados com muita rapidez, bancas de sponsors bem artilhadas, o facto de cada atleta levar a sua placa identificativa, entre outros.

Diria que um dos pontos a melhorar para um próximo ano seria a organização da entrada na zona de aquecimento, que apesar de ter sido um problema no primeiro dia, facilmente foi corrigido a partir do segundo dia de prova.

E já agora, um McFlurry no final de cada dia, já que tinham a McDonald’s como sponsor… 😅🤣

 

Termino em 43.° lugar, categoria Individual Rx.

Tal como já falei nas minhas redes sociais, confesso-me triste por ter abandonado a competição tão cedo mas há fraquezas que saberia que iam ficar expostas e com as quais tenho de lidar e continuar a trabalhar para no futuro serem pontos fortes. Tenho de levar tudo com mais calma, viver mais do bom da competição, relaxar e aproveitar cada fase deste meu início de competidor. Portanto acho sem dúvida um resultado justo para mim.

Vamos voltar ao início de 2018 – quando não me qualifiquei numa prova na categoria de Scaled – e agora, um ano e uns meses depois, arrisquei e competi finalmente na categoria de Rx, à qual sinto que é onde pertenço.

Estes percursos fazem-se caminhando e desengane-se quem vê atalhos rápidos a metas de longa permanência. Continuarei a fazer o que me compete e o que mais amo, treinar.

 

 

Sem dúvida, uma prova a repetir numa futura edição.

 

Fotografia/Edição:

Carina Simões

Jorge Filipe Fresco

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