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A Definição de um Mindset – André Teresinho

Com apenas 21 anos, André Teresinho é actualmente dos atletas a nível nacional que mais destaque tem conquistado em provas dentro e fora do nosso país.

Ore vejamos…

  • 1.º classificado na categoria de Equipas da III.ª edição (2017) da Battle Of Coimbra;
  • 1.º classificado na categoria de RX Masculino nos Community Summer Games de 2017;
  • 1.º classificado na categoria de Individual Masculino da 11.ª edição dos Promofit Games;
  • 1.º classificado na categoria de 85 Kg no Torneio de Iniciação de Halterofilismo;
  • E mais recentemente a primeira conquista fora de Portugal, 3.º classificado na categoria Individual Masculino dos The European Championships, que se realizaram em Londres no passado mês de Janeiro de 2018.

André Teresinho, atleta Xenios USA, embaixador MyProtein, coach CF-L1 e Weightlifting, atleta da box Castelo CrossFit, e actualmente a frequentar o Mestrado Integrado em Engenharia Civil, o que é preciso afinal para chegar a um nível assim?

Antes de mais, muito obrigado pelo convite! Nunca fiz nada assim parecido mas espero corresponder.

Tudo começou quando eu tinha 17 anos de idade, tinha acabado de desistir do voleibol depois de sensivelmente 9 anos de prática. Desisti não por falta de tempo, mas por falta de motivação, estava um pouco cansado de depender dos outros para o meu sucesso e percebi que desportos coletivos já não eram para mim.

Para manter a forma usava uma aplicação fitness para o telemóvel que nos dava workout’s e depois podíamos gravar os nossos tempos para os tentarmos bater mais tarde. Nessa altura – sem nunca ter ouvido falar da palavra CrossFit – andava eu a fazer Burpees, Sit Ups, Push Ups e outros movimentos com o peso do corpo na minha garagem aos olhares desconfiados e reprovadores da minha mãe – o meu filho é maluco!. Além destes treinos caseiros também fazia os típicos treinos de ginásio, trabalhando isoladamente diferentes grupos musculares cada dia da semana.

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Alguns meses depois, com 18 anos acabados de fazer, recebi um convite de alguns membros do ginásio para ir fazer um treino de CrossFit. Passei muitas dificuldades mas o que é certo é que adorei. Comecei a pesquisar, fazer os meus próprios treinos, ver vídeos sobre os diferentes movimentos e a tentar aprender o máximo que conseguisse sozinho – Butterfly Pull Ups, Double Unders, Cleans, por aí fora. Lembro-me que até Muscle Ups com elástico eu fazia em pleno ginásio com toda a gente a olhar para mim.

No verão de 2014, sem qualquer tipo de experiência, convidam-me para uma competição interna de duplas de treino funcional. Penso que fiquei quase em último porque eu e o meu parceiro ficamos presos numa das estações da prova até ser alcançado o tempo limite de prova. Ainda hoje sou gozado por causa desse momento.

A partir desse momento comecei a fazer as aulas de treino funcional até que o treinador (praticante de CrossFit numa box afiliada) percebeu que eu gostava daquilo e que tinha os padrões de movimento minimamente estabelecidos, levando-me pela primeira vez a experimentar um verdadeiro treino na box do Castelo CrossFit, onde treino até aos dias de hoje. Nunca mais me esqueço do meu primeiro treino, “Karen”, que consiste em 150 repetições de Wall Balls. Desde então nunca mais olhei para trás, o resto é história!

Então, como é o meu dia-a-dia de treinos e alimentação?

Em relação aos meus treinos, a maior parte das coisas que eu faço passa pelas mãos do Ricardo, treinador e dono da box do Castelo CrossFit – mas algumas vezes acabo por acrescentar algumas componentes que acho que são importantes para mim. Penso que não há um plano que resulte com toda a gente, somos todos diferentes e temos requisitos que variam de pessoa para pessoa. Se sentir que estou menos bem preparado para algum movimento ou tipo de WOD, vou implementá-lo na minha semana de treinos sendo que me conheço melhor que ninguém.

No que toca à alimentação, foi tudo com à base de tentativa e erro. Com o tempo tenho vindo a perceber o que resulta melhor para mim e que consistência deixa o corpo mais equilibrado e preparado para os desafios ao longo da semana. Limito-me a controlar os macronutrientes diários que quero ingerir. Sem muita ciência por detrás, sei quantas gramas de proteína, gordura e hidratos de carbono quero ingerir diariamente sendo que estes últimos variam conforme a intensidade dos meus treinos e o desgaste calórico que vou ter nesse dia. Isto tudo sem esquecer de comer legumes pelo menos ao almoço e jantar, claro.

Pergunta então o Fresco o que é a meu ver “ter um mindset certo”?

Hoje em dia, qualquer um faz duas sessões diárias de treino, tem uma boa programação, come razoavelmente bem e descansa as horas necessárias.

O que pode fazer a diferença? O mindset.

Saber respeitar o adversário, mas quando o relógio faz a contagem decrescente, perdemos o respeito por todos e vamos com alma. Entrar num estado de tal concentração que quase ficamos em modo de “piloto automático”, afastando aqueles pensamentos negativos que fazem a maioria abrandar ou até parar.

Muitas vezes dizem-me que não parece que estou em sofrimento ou que me está a custar, mas na verdade está a doer muito. Congelo a minha expressão e limito-me a realizar trabalho e a pensar que no fim vai valer a pena, ultrapassando barreiras mentais.

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Em que é que isso se traduz no meu dia-a-dia de treinos…

A resposta anterior já clarifica a mais valia desta linha de pensamento. Pegar em coisas que me motivam e utilizar como combustível para o meu dia-a-dia, encarando todos os momentos que estou na box como oportunidades para ser o melhor e nunca ficar totalmente satisfeito.

E como se traduz na preparação e/ou na véspera de uma competição? – pergunta o Fresco.

Todos os meus treinos têm o objectivo de me preparar para a próxima competição que aí virá, não costumo treinar sem um objectivo em mente. Ter planos e algum medo de perder mantêm-me motivado para me levantar todos os dias de manhã e dar o meu melhor.

Na véspera de uma competição tento não pensar muito no processo, mas sim no final, onde quero estar. Mentalizo-me que tudo o que podia ter feito já fiz e que não tenho controlo sobre aquilo com que me vou deparar na competição. Claro que estaria a mentir se dissesse que não fico nervoso! Tento é minimizar esse sentimento.

Dias “menos bons” e como é que isso me afecta no treino…

Bem, apesar de não ter muitos, porque independentemente de tudo sou feliz a treinar, limito-me a seguir o que está na programação porque sei que no fim do dia vou ficar orgulhoso. Amanhã é um novo dia e de certeza que vai correr melhor.

Outra coisa que eu faço é arranjar alguém a quem me lamentar deste tipo de tristezas e esperar alguns elogios porque também sou humano! Não me orgulho muito mas ajuda bastante a elevar um bocadinho o ego.

“E lidar com um bom resultado e com um mau resultado?” – remata o Fresco.

É muito mais difícil lidar com o bom resultado do que um mau resultado. Não podemos deixar uma vitória fazer a nossa humildade desaparecer. Penso que qualquer um dos resultados – bom ou mau – pode ser usado como motivação para o futuro.

O segredo é não achar que está tudo bem e tomar as coisas por garantido. Ganhei uma competição ou um WOD, mas será que posso ganhar com ainda mais evidência? Não deixar qualquer dúvida que mereci aquilo.

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“André, a atitude é tudo?”

Não é tudo, mas é o factor-chave para diferenciar um atleta bom, de um atleta muito bom. A receita ideal é uma genética razoável, muito trabalho e muita atitude. Por isso é que achei o CrossFit a modalidade ideal para mim. Sempre tive o sonho de ser de ser algo notável a nível desportivo e nunca tive isso no voleibol porque apesar de ser o mais trabalhador, não conseguia rivalizar os mais talentosos – e altos.

A atitude não está só na forma com que se ataca os WOD’s mas também a seriedade com que se encara tudo o que está relacionado com a performance, alimentação, descanso e também fazer outras coisas que nos deixem felizes e sãos, porque há outras coisas na vida sem ser treino.

“O que é que dizem os teus olhos…” – quase… 😂

Como é que vejo então o meu futuro…

Não gosto muito de pensar a longo prazo porque às vezes as coisas podem não correr como nós queremos ou pode acontecer algum imprevisto. Apesar disso, tenho os meus objectivos fixos como, por exemplo, ir aos Regionais dos The CrossFit Games e acabar o curso na faculdade, para me libertar dessa responsabilidade e pensar noutras coisas a nível de atleta e/ou profissional.

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Se continuar a gostar do que faço e não me aleijar acho que posso fazer umas algumas coisas positivas e ajudar a colocar Portugal no mapa no que toca ao CrossFit.

Para saberem mais sobre o percurso do André, sigam-no através da sua página no Instagram.

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