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A Coach e a Atleta – Joana Tomás

Se calhar como alguns de vocês conheci a Joana Tomás pelas redes sociais, na altura quando entrei no mundo do CrossFit e pesquisava tudo sobre o CrossFit nacional, via quem eram as referências, os atletas, por aí fora.

Bem, tem 33 anos, é de Viseu, e já fez Atletismo e Artes Marciais. Começou a trabalhar com Pilates, Body Balance e Body Attack e é Personal Trainer há dez anos. Como coach começou em 2014 e adora a área da Mobilidade.

Conhecendo agora um pouco melhor a Joana e tendo já privado com ela pessoalmente, ela é tudo isso e muito mais. É uma simpatia em pessoa, disponível e o seu olhar e sorriso não deixam dúvidas que é feliz a fazer o que faz todos os dias.

 

Joana, afinal quem é a Joana Tomás, coach, e a Joana Tomás, atleta?

Isso do “atleta” tem muito que se lhe diga… No CrossFit temos muito essa “mania” de chamar atleta a quem compete, eu não me considero atleta no sentido em que não é esse o meu ganho pão e não dedico tempo suficiente e necessário à prática da modalidade, mas não me importava nada!

Como treinadora a minha missão é tornar quem me rodeia mais saudável viciando-as a gostarem não só de CrossFit mas de tudo o que é exercício físico. Fico muito satisfeita quando tentam mil vezes mesmo que não consigam executar o que lhes proponho, quando querem entender o que estão a fazer, quando fazem todos os possíveis e impossíveis para encaixar o treino na agenda e fico doida de falta de paciência quando reclamam do treino e tudo é um problema! Mas é a parte gira de lidar com pessoas e o desporto só revela personalidades, adoro o que faço cada vez mais!

Quando estou na arena… Não consigo descrever. É mesmo especial para mim competir, o fernezim à nossa volta e o contraste de emoções onde tentamos que os momentos menos maus não se reflictam no WOD seguinte, aquele engolir em seco quando sabes que uma prova não te vai ser nada favorável… Tanta coisa… Faz-me crescer muito como pessoa essa adrenalina! É o que me custa mais separar… Tenho a tia Maria à minha frente que só se quer mexer um bocado e não é preciso desejar que fique com o diabo no corpo quando pega na barra! 😂

 

E se tivesses de optar entre ser coach e ser atleta?

Isso não dá para responder, não estando nessa situação, mas treinar tem sempre que fazer parte da minha vida.

 

No teu dia-a-dia tens noção da influência que tens sobre os que te seguem e os teus alunos? É algo que te preocupa diariamente?

Tenho noção que tal como existem pessoas que me influenciam, também eu posso chegar a muita gente! Sim, preocupo-me claro! Quando se partilham treinos e rotinas corremos o risco de alguém que precisava mesmo daquilo, naquele momento consiga aproveitar para si. Às vezes coisas mínimas que disse ou fiz que me parecem insignificantes são referidas em conversas e aí percebo que posso muito facilmente ter impacto na vida de quem me vai acompanhando, serve para o positivo e negativo, claro. Sinto alguma responsabilidade sobre isso.

 

Mas antes do CrossFit houve Trail, certo? Fala-me disso.

Ui que saudades eu tenho dos Trails! A minha ligação com a corrida vem de há uns tempos. Fazia 400 m barreiras quando tinha uns 20 anos depois na mudança de Viseu para o Porto em que comecei a trabalhar num ginásio, haviam aqueles grupos com um espírito fixe que faziam corridas, juntei-me a eles nos 10 km de vez em quando. Até que começaram a aparecer os Trails, o primeiro que fiz foi o Urban Trail no Porto que deveriam ser uns 10 km pelas escadas e ruelas da cidade à noite, gostei tanto que passados uns tempos fomos todos a Barcelos, fizemos umas t-shirt’s e tudo, éramos muitos! Foram 25 km. Perdi o terceiro lugar porque me perdi a 800 m da meta, fiquei com tanta raiva! Lembro-me de chegar ao fim e dizer à organização que aquilo era um exagero e devia ser proibido! Passados 15 dias já estava a fazer outro ainda maior! Cheguei a ir à Madeira correr 42 km e à Serra D’Arga correr 45 km. Os meus treinos eram as próprias provas que fazia, quase fim de semana sim, fim de semana não, e dava aulas de Body Attack que acho que me faziam sentir com um terceiro pulmão!

 

E porquê a mudança para o CrossFit?

Foi muito natural… Tinha uns amigos a dizerem que havia uma “cena que é a tua cara”, fui experimentar e claro que amei! Ainda quis manter os Trails mas era impossível conciliar as duas coisas.

 

Então quando chegam as competições? E porquê?

Comecei em Janeiro de 2014. A primeira prova que fiz foi em equipa, nos Promofit Games em Abril desse ano, depois os Portugal Affiliate League e Kings Of Wod em individual… Porquê? Acho que já era tão natural para mim desde o atletismo ir a “provas” que nem foi questão. Acaba por ser um passo e uma consequência lógica em qualquer coisa que me dedique e comece a fazer.

 

Vamos voltar a 2017, aos The Alpha Games. Para além de não teres gostado da forma de organização da mesma, esta ficou-te marcada por outra razão, uma lesão no joelho. Que aconteceu e o que te disseram os médicos na altura?

Bem… Estava ansiosa por me conseguir qualificar para aquela competição, vinha de uma época maravilhosa mas cheguei lá e sentia-me cansada e desiludida com a prova. Só pensava em voltar para descansar e estar uns tempos a comer e treinar bem.

No primeiro dia pousei mal a barra no pescoço no Bear Complex e tinha uma contractura forte, no segundo dia a minha preocupação era só essa. No WOD em que me magoei havia muita estrutura e por isso na terceira ronda de três, de um Complex, decidi mudar para a pista do lado que tinha um colchão que me colocava mais alta e por isso me fazia desgastar menos no salto para a barra. Aquela diferença de altura fez-me não flectir os joelhos o necessário para amortecer a queda e então caí com as pernas esticadas! Foi aquela queda seca. Pior sensação da minha vida, mandei-me para o chão agarrada à perna e devo ter estado um minuto aos berros. Inchou logo muito mas os fisioterapeutas não me disseram nada, acho que eu também não queria na realidade saber o que podia ter…

 

Nunca mais me esqueço do teu vídeo a subires uma escadaria de canadianas e no fim mandares um enorme sorriso por teres chegado ao topo. Encaraste sempre a lesão e a recuperação de uma forma positiva? Não te foste abaixo?

 

 

 

Isso foi no dia seguinte à prova… Aterrei e fui logo fazer o exame, soube logo que tinha rotura do cruzado e ligamentos laterais, ligeira fractura do menisco e fissura na tíbia! [ – não sei como quando caí no chão ainda me questionei da figura que tinha feito e que se calhar até podia ter terminado o WOD 😂 ]

Chorei como uma doida quando me disseram que tinha que operar, [ nunca tinha sido operada ] depois respirei fundo e pensei: “Ok, vamos lá tratar disto!”.

No fundo acho que o meu grande problema, ou se calhar solução, foi nunca ter tido muita noção da gravidade da lesão, achava que se operava e pronto. Quando na realidade a operação é a parte fácil do processo!

Por isso gostava de ter descansado mais e não ter ido trabalhar três semanas depois, tudo isto me atrasou um pouco o processo. E se, o optimismo e saber que é uma situação reversível a seu tempo me ajudaram a não faltar a nenhum treino na box nestes meses todos, também me fizeram ser meia atrevida quando me sentia melhor e ia abusando e fazer coisas que me sentia bem mas não devia ainda fazer. Fui abaixo, claro, mas nunca me permiti que isso se mantivesse mais do que momentos, abanou mas nunca caiu!

 

Entretanto já voltaste a competir, e tive a felicidade de te ver voltar à arena nos 1RM Games 2018! Como estamos actualmente a nível de recuperação? E como foi voltar?

Foi tão bom! Mesmo assim ainda não soube a regresso porque não foi uma prova de dois dias e sozinha.
Tenho ainda dores, não consigo correr, e o meu joelho é instável mas ando a trabalhar para voltar talvez no Verão. Se der deu, se não der, eu espero… Ainda não sei com que abordagem mas não vai ser aquela do “importante é participar”, no entanto tenho plena noção do nível e vou tentar acompanhar dentro daquilo que sei que posso ter como expectativa.

 

Qual é o próximo passo?

Cuidar de mim e ficar a 100%! Quero poder ir dar uma corrida quando me apetecer e não quando o joelho deixar. Tenho muitos Trails para fazer e novas aventuras para experimentar. Continuar a dedicar-me ao trabalho e a encarar e interiorizar, sem dramas, como tenho vindo a aprender, que não somos sempre novos e com articulações de aço e que há mais coisas para fazer na vida além de CrossFit.

 

O mindset é assim tão importante?

O mindset é tudo! A perspectiva com que vês as coisas e a expectativa podem salvar-te ou acabar contigo. Ter poder e foco nas tuas decisões vale ouro. Ter o poder de decidir se sim ou se não, saber separar a emoção da razão não é fácil mas também se aprende.

Perceberes o que funciona para ti e não o que está escrito nos livros… Uma lesão pode dar oportunidade de fazeres coisas que nunca fizeste blá blá blá… Mas se é aquilo que queres fazer, segue! Segue com tudo. Encontra o teu segredo e a tua estratégia que sabes que te vai alimentar o ego naqueles momentos negros só teus. Lembrar SEMPRE que no futuro não te vais querer arrepender de não ter feito isto ou aquilo por isso não esperar resultados daquilo para o qual não te dedicaste a 100%.

E por último conseguir filtrar e retirar de cada pessoa que tens à volta aquilo que te faz bem e estares rodeado de quem gosta mesmo de ti. Não te deixares ir abaixo quando sentes que te fazem passar de bestial a besta, ou te dizem – “Paciência, é a vida e acontece” ou “Isso nunca mais vai ao sítio” – transformar isso em shot’s de motivação. 😎 Não sei se isto é o “mindset” mas é o que me tem ajudado a reagir muito melhor do que esperava a tudo isto.

Para saberem mais sobre o percurso da Joana, sigam-na através do seu Instagram.

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3 Comments
  • sofia castro
    28/01/2019 at 09:01

    Gostei muito do texto ! A cabeça é que manda ! Um grande beijinho Joana !!

  • Emília Duas
    29/01/2019 at 10:06

    Joaninha vai em frente!
    És uma inspiração, quando for grande vou ser como tu, linda, forte e com um mindset a prova de tudo.
    A nossa cabeça é que manda e o corpo “tenta” acompanhar.
    Sempre com o foco, és assim.
    Admiro te muito, como coach, atleta e principalmente pessoa!
    Mas tu já sabes!😊
    Parabéns pela reportagem!

  • Alda Campos
    29/01/2019 at 22:18

    Grande Joana! 😊😊😊 Adorei ler a entrevista. Força miúda! 😉

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