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Cronista
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15 Km – Run Fresco, Run!

O que vale é que tenho amigos que me motivam a mais e melhor e a meter nestas andanças: “Fresco! Este ano a Corrida Saúde+Solidária​ tem os 15 km, tens de te inscrever!”.

Na realidade era uma distância que até à data nunca havia arriscado, até porque para mim os 10 km já eram um verdadeiro desafio. Contudo nem pensei duas vezes em encarar isto e falar com o meu coach para pôr este teste – digamos assim – no meu calendário.

 

Quem me conhece melhor sabe que normalmente sempre gostei de correr, e que foi através da corrida no começo que perdi muito do meu excesso de peso há uns anos atrás. Não que me considere experiente nesse campo, mas nunca senti grande desconforto na sua prática.

 

Assim sendo, e seguindo os meus treinos regularmente, uma semana antes da prova estava mais motivado do que nunca, havia batido o meu tempo dos 10 km nesse sábado. Sendo que o registo anterior que tinha era de 47’51’’ tirados a 6 de maio na edição de 2018 da mesma Corrida Saúde+Solidária​, nesse mesmo sábado consegui tirar três minutos aos 10 km.

 

 

Não que eu conseguisse manter este mesmo pace aos 15 km, mas sabia que mesmo com uns segundos mais lento era possível uns sub 70-75 minutos na prova.

Eventualmente uma marca muito ambiciosa para quem não treina apenas corrida, mas acreditei que era possível.

 

Terça feira – a cinco dias dos 15 km – a meio de séries de 2 km, os músculos da minha coxa dão alguns sinais de tensão até ao joelho, o que me assustou imenso e que me obrigou a interromper o treino.

Tentando resumir-vos o que senti foi basicamente a perna “prender” desde a coxa até ao joelho, o que depois de ter falado com alguns fisioterapeutas e especialistas amigos levou-se a crer ser esforço acumulado sobre o músculo tensor da fáscia lata.

Várias questões podem ter desencadeado esta situação, desde a falta de descanso ou muito esforço acumulado sobre a perna nos treinos dos últimos dias, mas tentando hoje rever o que terá acontecido tudo leva-me a crer que foi a falta de um aquecimento e alongamento decentes nesse dia antes do treino. E sim, é algo com o qual eu já devia saber que não se pode vacilar e que pode pôr em causa todo o treino.

Posto isto, os meus treinos habituais foram reestruturados até ao dia da prova de forma a não colocar qualquer tipo de esforço excessivo na perna e no joelho e dediquei-me como nunca à recuperação deste nos dias seguintes, com recurso a vários exercícios de alongamento e alguns anti-inflamatórios locais.

 

Domingo, dia 28 de abril, dia da prova. E aqui os meus níveis de ansiedade já estavam bem alto. Não propriamente devido à prova, mas por receio de sentir dores a meio da corrida e que isso me condicionasse os meus futuros treinos.

Tentei relaxar, alguns exercícios de respiração, e avancei para o aquecimento.

 

Aquecimento no dia da prova

 

3 Rondas:
  • 200 m Corrida
  • 10 Lateral Leg Swing [ para cada lado ]
  • 10 Front Leg Swing [ para cada lado ]
  • 20 m Skipping à Frente
  • 20 m Skipping Atrás

 

3 Rondas:
  • 400 m ao pace da Corrida
  • 90” Rest

 

A este ponto não senti qualquer tensão, o que acabou por me tranquilizar na altura e até chegar ao ponto de partida.

 

 

 

0-5 km – Tu consegues.

Já me vou conhecendo antes de uma prova ou teste, a ansiedade e nervosismo atacam verdadeiramente a minha confiança. Mas é nestes momentos que mais me gosto de ver, do quão forte me mantenho a puxar-me desses pensamentos negativos e em retomar à calma.

Não é fácil, mas usar isto como combustível de arranque em vez de peso contra-producente pode e faz a diferença.

Ao “tiro” da partida nada mais importava, vamos a isso. Tentei ao máximo afastar-me da enchente de atletas e seguir o meu caminho. Manter o meu pace, concentrar-me no percurso, ouvir o corpo.

Senti-me confortável durante dos primeiros km e mantive um pace que acreditei ter consistente durante todo o percurso. Recordo-me que estava a fazer aproximadamente 04’50”-04’55”/km.

 

 

 

5-10 km – Devo continuar?

Não sou de desistir das coisas, mas a esta altura tinha de pensar em mim: É isto que eu quero?

Sentia o joelho a dar alguns sinais de inflamação, mas toleráveis. Não só no momento, mas sentia que conseguia acabar aquilo. Mas a minha cabeça… A ansiedade e medo estavam a tomar conta de mim. Fizeram-me duvidar de mim, e para além disso comecei a baixar o meu pace.

Mas eu sou teimoso, e digo-vos por vezes nem eu sei onde vou buscar forças para aguentar o que aguento.

Posso dizer-vos que estava pronto para sair da corrida se o meu joelho desse algum sinal mais severo, algo que me pudesse condicionar fortemente. Mas felizmente não, e apesar de sentir tensão no mesmo dos km’s já acumulados, era a minha cabeça que me estava a “envenenar” com pensamentos mais negativos.

E assim segui, aqui já com algumas alterações no pace, mas confiei e continuei.

 

 

 

10-15 km – Vamos acabar isto. 

Último esforço. Mentalmente tentei dividir a corrida em três blocos de forma a que quando chegasse ao último conseguisse fazer um último esforço e puxar por mim.

Tentei ao máximo, e senti que o meu corpo não estava a responder da melhor forma. O medo do joelho ceder, o tremendo cansaço acumulado, o calor que se fazia sentir, a ansiedade de ver a meta. Mais do que nunca, controlei a respiração e tentei manter uma postura calma mesmo com todas as condicionantes.

Ao entrar na pista, nos últimos metros, só me lembro de alongar a passada e sprintar até à meta, só queria acabar aquilo.

E acabei, fiz 15 km de corrida.

 

 

Sobrevivi. Fiz 01:16:21, com um pace médio de 05’05”/km e fiquei em 66.° lugar em 188 atletas.

 

E posso dizer-vos que foi das batalhas mentais mais difíceis que travei. Mas um excelente desafio, quer físico, quer mental.

Creio que a minha postura e mindset tiveram um papel preponderante neste resultado, para além dos treinos e da evolução na minha capacidade física como é óbvio. E hoje em dia acreditem que já olho para a corrida com outros olhos e com ainda mais respeito do que antes.

 

Quanto ao meu joelho, esse teve tratamento decente e descanso completo de dois dias depois da prova, e claro um retorno aos treinos com calma. Felizmente está a responder bem aos estímulos e não quer ouvir falar em corridas longas nos próximos tempos… 😂

 

Agora, hora de focar nas próximas provas de CrossFit.

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